Se a sua empresa está no Espírito Santo e depende de benefícios como COMPETE ES, FUNDAP e INVEST ES para manter a competitividade, a Reforma Tributária não é um assunto para o futuro. É uma mudança que já começou, e que vai redesenhar completamente as regras do jogo até 2033.
Neste artigo, explicamos o que são esses incentivos, como a reforma impacta cada um deles e o que sua empresa precisa fazer agora para não ser pega de surpresa.
O que são os incentivos fiscais do Espírito Santo?
O ES construiu ao longo das últimas décadas uma reputação sólida como um dos estados mais estratégicos do Brasil para empresas de comércio, importação e distribuição. Essa reputação tem um motivo concreto: um conjunto robusto de programas de incentivo fiscal baseados no ICMS.
COMPETE ES
Comércio atacadista e distribuição
Permite a redução da base de cálculo do ICMS, resultando em alíquotas efetivas muito abaixo das praticadas em outros estados. Para empresas que operam com grandes volumes de mercadoria, a diferença na carga tributária pode ser decisiva na formação de preço e na margem.
FUNDAP
Importadoras pelo Porto de Vitória
Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias. Permite o financiamento de parte do ICMS devido, com condições especiais de prazo. Historicamente, foi um dos principais atrativos para que empresas escolhessem o ES como hub de importação e distribuição nacional.
INVEST ES
Indústria e serviços com investimento no ES
Voltado para empresas que realizam investimentos no estado. Combina benefícios de ICMS com contrapartidas de geração de emprego e investimento fixo, sendo especialmente relevante para indústrias que buscam expansão.
O que é a Reforma Tributária e por que ela afeta esses programas?
A Reforma Tributária foi aprovada pela Emenda Constitucional 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar 214/2025. Seu objetivo central é simplificar o sistema tributário brasileiro, substituindo cinco tributos sobre consumo por dois novos impostos:
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): substitui o ICMS e o ISS
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): substitui PIS e Cofins
- IS (Imposto Seletivo): incide sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente
O ICMS — que hoje é a base de todo o sistema de incentivos estaduais do ES — será extinto de forma gradual entre 2029 e 2033. Com ele, os programas que dependem desse imposto para existir perdem automaticamente sua sustentação legal.
O ponto crítico que vai além da extinção do ICMS
O IBS será gerido por um Comitê Gestor nacional. Isso significa que os estados perdem a autonomia que tinham para criar e conceder benefícios unilaterais. A guerra fiscal entre estados — da qual o ES soube tirar proveito de forma competente — não terá espaço no novo sistema.
Como fica o cronograma de transição
A transição foi desenhada para ser gradual, justamente para dar tempo às empresas e aos estados de se adaptarem. O calendário oficial é o seguinte:
Fase de testes
CBS e IBS entram com alíquotas reduzidas. ICMS segue integral, com os incentivos do ES funcionando normalmente.
CBS em vigor plena
A CBS entra em alíquota cheia. O IBS começa a ser implementado em fase inicial. Os benefícios estaduais ainda estão integralmente preservados.
Início do corte progressivo
Começa a redução de 10% ao ano nos benefícios baseados em ICMS. Quem usa COMPETE ES, FUNDAP ou INVEST ES sente o primeiro impacto direto na carga tributária efetiva.
Redução acumulada de 40%
Corte contínuo de 10% ao ano, totalizando 40% de redução acumulada ao final de 2032. O impacto no fluxo de caixa cresce a cada exercício.
Extinção completa do ICMS
Fim definitivo dos programas baseados em ICMS. Sistema migra integralmente para IBS e CBS, com possibilidade de novos incentivos via Fundo de Desenvolvimento Regional.
O impacto real para empresas no ES
O impacto da reforma sobre os incentivos estaduais não é homogêneo. Ele varia conforme o programa utilizado, o volume de operações e a estrutura tributária de cada empresa. Mas há efeitos comuns que toda empresa precisa antecipar:
Quem hoje opera com alíquota efetiva de ICMS reduzida graças ao COMPETE ES ou ao FUNDAP terá essa vantagem corroída 10% ao ano a partir de 2029.
Sem planejamento, esse custo vai aparecer na DRE sem aviso — afetando margem, fluxo de caixa e capacidade de investimento.
Se o benefício fiscal foi incorporado à estrutura de preços da empresa, a extinção progressiva desse benefício precisa ser repercutida no modelo comercial.
Empresas que deixarem para fazer esse ajuste na véspera vão enfrentar pressão de margem em um momento ruim — sem espaço para repassar preços com calma ao mercado.
Parte da competitividade de empresas sediadas no ES em relação a concorrentes de outros estados vem diretamente dos benefícios fiscais.
Com a uniformização promovida pelo IBS e pela CBS, essa diferença tende a diminuir — o que exige reposicionamento estratégico e revisão dos diferenciais competitivos da operação.
A reforma também traz novidades que podem beneficiar alguns setores. O IBS e a CBS terão regimes diferenciados para atividades específicas, além de alíquotas reduzidas para determinados segmentos.
Dependendo do perfil da sua empresa, pode haver oportunidades no novo sistema que compensem, ao menos parcialmente, a perda dos incentivos atuais.
O que sua empresa precisa fazer agora
A janela entre 2025 e 2028 é a mais estratégica para qualquer empresa que hoje depende de incentivos fiscais estaduais. É nesse período que as decisões tomadas vão determinar como a empresa chegará a 2029 — e aos anos seguintes.
- Mapear a dependência atual dos incentivos. O primeiro passo é quantificar com precisão quanto da sua carga tributária efetiva é resultado dos benefícios do COMPETE ES, FUNDAP ou INVEST ES. Sem esse número claro, qualquer planejamento é especulação.
- Simular cenários para 2029, 2031 e 2033. Com os dados em mãos, projetar como a carga tributária evolui ao longo da transição. A simulação precisa considerar receita, margem, regime tributário e impacto no fluxo de caixa — não apenas a alíquota de ICMS.
- Avaliar o regime tributário para o novo cenário. Empresas no Lucro Presumido ou Real precisam revisar se esses regimes seguem sendo os mais eficientes após a entrada plena do IBS e da CBS. A reforma pode justificar mudanças de regime que hoje não seriam vantajosas.
- Identificar oportunidades dentro do novo sistema. A reforma não é só perda. O novo sistema prevê regimes específicos para setores como agronegócio, saúde, educação e transporte. Mapear onde sua empresa se encaixa é parte essencial do planejamento.
- Não esperar 2029 para agir. A tentação de adiar é real — afinal, o benefício ainda está valendo. Mas decisões importantes (regime, modelo de negócio, precificação) levam tempo para ser implementadas. Quem começa agora chega à transição no controle. Quem espera, reage.
A MARP no centro dessa transição
Mais de 8 anos acompanhando empresas que utilizam incentivos no ES
A MARP Contabilidade acompanha empresas do Espírito Santo e de São Paulo que utilizam incentivos fiscais há mais de 8 anos. Conhecemos profundamente os programas COMPETE ES, FUNDAP e INVEST ES, e já estamos trabalhando com nossos clientes no planejamento para a nova realidade tributária.
Nossa abordagem não é de conformidade. É consultiva. Sentamos junto com o empresário, entendemos o negócio, simulamos os impactos reais e construímos um plano de transição que faz sentido para aquela operação específica. É o que chamamos de contabilidade de sócio para sócio.
A Reforma Tributária é o maior redesenho do sistema fiscal brasileiro em décadas. Para quem está bem assessorado, é também uma oportunidade de sair na frente.